A Pedra Cariri, uma rocha sedimentar pouco usada pela tradição da joalheria, protagoniza a exposição Rastros Corporais que será inaugurada na Sem Título Arte no dia 28 de agosto, às 18h.

A mostra reúne trabalhos do Coletivo Metal Fóssil composto pelos designers Alan Araújo, João Côrtes, Dayane Araújo, Leonardo Ferreira e Marcia Ferreira que se uniram para atuar na joalheria contemporânea fazendo uso da Pedra Cariri. O grupo é egresso do curso de Design de Produto da Universidade Federal do Cariri – UFCA.

Na exposição, o conceito é inspirado na Pedra Cariri, no sentido da acumulação de resíduos através da ação de longos períodos temporais, até a transformação em um mineral marcado por essas diversas camadas. As obras refletem “o corpo instintivo e suas relações com o outro e o ambiente, determinado por vivências e herdado por gerações. Manifesta-se, segundo Freud, no campo do princípio do prazer. Mais primata do que poderíamos supor, o corpo toma conta dos cuidados da sua própria conservação. Nasce – cresce – reproduz – morre, essa manutenção da sobrevivência deixa ‘vestígios’ e esses vestígios foram trabalhados nesta experimentação”, define a curadora Ana Videla, Coordenadora do Curso de Design de Produto da Universidade Federal do Cariri

 

Videla explica que a Joalheria Contemporânea tem como premissa se apropriar da linguagem de produção das joias para discutir assuntos do seu tempo em articulação com o corpo. Diferente da arte contemporânea, o campo da joalheria de arte é recente e pouco conhecido, as primeiras expressões ocorreram na década de 1960, por essa razão a escolha por apresentar os trabalhos nos centros de referência em arte contemporânea como Sem Título Arte, em Fortaleza.

 

Coletivo Metal Fóssil

 

Alan Araújo é graduado em Design de Produto pela Universidade Federal do Cariri (2015), especialista em Design de Moda pelo SENAI CETIQT (2017). Foi bolsista no programa Cambada PET Design da UFCA (2012-2015), atualmente atua como designer autônomo, com joalheria e moda autoral produzidas em pequena escala. Integrante do grupo NAVE: Núcleo de Artes Visuais Experimental, UFCA. Tem experiência nas áreas de design de produto, moda e joalheria, com ênfase no processo criativo e na pesquisa em joalheria contemporânea.


Dayane Araújo é
graduada em Design de Produto pela Universidade Federal do Cariri (2016), atua na área de design de joias comerciais e realiza estudos e experimentos em joalheria contemporânea. O seu trabalho abordará questões do comportamento atuais relacionadas ao voyeur digital e as implicações dessa prática, tais como o exibicionismo e a vida hiperconectada como forma de constituição do sujeito.

 

João Côrtes é graduando em Design de Produto na UFCA, foi bolsista no Cambada PET design (2013-2017), atua nas áreas de joalheria, animação e ilustração. O seu trabalho parte da ideia de que somos seres biopoliticios (Hardt e Negri), cujo corpo muda e transforma o nosso cotidiano, pois é através dele que percebemos a realidade. No dia a dia experienciamos novas realidades a partir do que passa ao nosso redor e afeta o nosso corpo, desde um olhar recebido até a roupa que escolhemos vestir.

 

Leonardo Ferreira é artista visual, graduado em Design de Produto pela Universidade Federal do Cariri (2016). Membro do Núcleo de Artes Visuais Experimental da UFCA, membro pesquisador  do grupo JOIA – Jogo Invento Artesania, da Universidade Regional do Cariri. Realiza trabalhos em Artes Visuais (desenho) e na joalheria comercial. “Meu trabalho vem de uma reflexão a respeito das relações de trabalho/ofício/labuta pelas quais passamos, cujos sinais revelados nesses percursos, muitas vezes exaustivos, podem deixar marcas no nosso corpo e  mente.”

 

Marcia Ferreira é graduanda em Design de Produto na UFCA, com habilitação em joias. Nascida e criada em Caririaçu, cidade serrana da Região do Cariri, conviveu durante sua infância com a profissão de protético do pai. Foi esse ambiente que despertou seu interesse e encantamento pelo fazer manual. Para essa exposição, projetou joias com Pedra Cariri, tendo como horizonte o corpo afetado por distúrbios alimentares.

 

Curadoria

ANA VIDELA é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestra em Design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutora em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com período sanduíche no Departamento de Antropologia da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM), na Cidade do México. Formada em Joalheria pelas Escolas Contacto Directo e Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. Foi professora de joalheria e coordenadora da Escola de Joalheria do SENAI-RJ. Publica textos e artigos sobre questões referentes à pesquisa em Design Antropologia, com ênfase nos aspectos culturais dos artefatos. Tem experiência em desenvolvimento e produção de joalheria contemporânea. Atualmente, é Professora Adjunta do curso de Design da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Líder do grupo de pesquisa Benditos – Núcleo de Design Antropologia.